Startup também é coisa de mãe! Como Fabiany Lima criou o Timokids e hoje é uma mãe empreendedora de sucesso no mercado digital

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Fabiany Lima, 38 anos, é mãe das gêmeas Lara e Laís que hoje têm oito anos. Formada em Direito pela Universidade Católica de Santos e com MBA em Marketing e Vendas, decidiu transformar sua trajetória profissional utilizando todo o conhecimento que adquiriu ao longo da vida para criar uma startup de sucesso.

Desde os 16 anos quando foi morar sozinha, Fabiany usou seu espírito empreendedor para criar soluções para ganhar dinheiro. De lá pra cá passou por três casamentos, engravidou e esteve no time principal de alguns negócios. Com o passar do tempo, porém, apesar de gostar do que fazia, ela percebeu que a rotina não era compatível com seu modo de vida. Trabalhava muitas horas e longe de casa, sentia-se distante das filhas, que a essa altura, estavam com três anos de idade.

Por conta disso, ainda em 2012 ela decidiu que ficaria em casa mas que se dedicaria a criar algo próprio. Nascia ali sua primeira startup, a Timolico que se transformou na principal renda da casa já que seu marido ficou desempregado. Um ano depois ao perceber que o modelo de negócios não era escalável, o negócio acabou. Mais tarde em uma segunda tentativa criou a Timobox, que dessa vez acabou terminando por falta de paixão dos sócios que acabaram se afastando. Empreendendo por necessidade mas também em busca de alcançar seus objetivos profissionais, ela não desistiu e em agosto de 2014, juntamente com mais dois sócios, Fabiany criou o Timokids.

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Empreender e ser mãe: como não se perder das suas prioridades

O Timokids é um aplicativo multilíngue de educação que ajuda os pais e professores, por meio de histórias e jogos, a conversar com as crianças sobre questões importantes que devem enfrentar durante o crescimento. Com uma metodologia exclusiva, a ferramenta cria e fornece conteúdo seguro sobre bullying, comportamento social, preconceitos e muitos outros, sempre de forma divertida e divertida e é usada por crianças e famílias em 197 países.

Convidada aqui pelo blog Mães Empreendedoras para falar sobre os desafios de sua trajetória, Fabiany contou sobre sua motivação para começar, as lições e dificuldades na gestão de uma startup, a participação as mulheres no mercado digital e deu dicas valiosas para as mães empreendedoras que querem fazer seu negócio dar certo.

Como Fabiany Lima criou a Timokids e hoje é uma mãe empreendedora de sucesso no mercado digital

Qual foi sua principal motivação para começar a empreender?
Para começar a empreender foi a vontade de utilizar o conhecimento que adquiri durante minha vida profissional, que não se limitava a somente uma área, e ter a possibilidade de aprender cada vez mais. Para empreender no Timokids, minha motivação foi usar a tecnologia para causar um impacto positivo no mundo que minhas filhas irão viver.

Você já esteve a frente de outras startups antes da Timokids. Como foi essa trajetória?
Foi um período de muito aprendizado, erros e acertos que me permitiram conhecer pessoas e lugares incríveis, além de que pude ajudar outras pessoas. Empreender é um desafio profissional e emocional muito grande e você tem que desenvolver os dois lados para se manter motivado e competitivo.

Você é mãe de gêmeas. Como você organizou a sua a rotina com elas e o dia a dia do negócio? 
Eu sempre trabalhei muito e para grandes empresas. Trabalhei em ambientes extremamente competitivos que sempre exigiram muito tempo e dedicação, então a rotina de trabalho não foi uma novidade. No entanto, para que elas possam ter uma rotina mais organizada uma das opções foi contar com a ajuda da família, especialmente após a minha mudança de país. Pude contar também com o pai delas, que é totalmente consciente da sua responsabilidade e que, independentemente de termos nos separado há muitos anos, me apoia muito e reforça minha relação com elas diariamente. Usamos muita tecnologia também, lições de casa via Skype, áudios, fotos, mensagens e vídeos todos os dias.

Ainda é muito pequeno o número de mulheres a frente de startups embora esteja crescendo. Como você vê a participação das mulheres neste mercado digital?
Eu acho que está melhorando, mas ainda existem muitos espaços para serem conquistados. Observo que as mulheres não tem dificuldade de empreender, são tão boas ou mais do que os homens, mas que barreiras pessoais as impedem de exercer todo seu potencial. Pouco apoio da família, julgamento da sociedade, sentimento de culpa por querer fazer tudo ao mesmo tempo e não conseguir e especialmente por não acreditar em si mesma.

Você já passou por rodadas de investimento para o negócio. Como funcionou? O que acha que foi determinante para conseguir investimento?
Foi difícil por uma série de razões. No começo eu possuía pouco contato com investidores, a Timokidsé um produto B2C e voltado para o público infantil, o que limita muito o tipo de investidor que aposta nesse modelo de negócio. O desafio maior, no entanto, foi mostrar que independentemente de ser mãe e mulher eu teria condições de entregar os resultados que estava propondo. Estar preparada para apresentar os dados, buscar os contatos certos, acreditar no que estava fazendo e um pouco de ousadia, foram fatores determinantes.

Qual foi o momento mais difícil que você vivenciou na gestão da empresa até hoje? Por que?
Do lado profissional, a saída de um dos fundadores foi um dos momentos mais difíceis, porque segui sozinha acreditando e assumindo todas as responsabilidades. Isso, com o tempo, vem se provando ter sido a decisão certa. Do lado pessoal foi sair do País e ficar longe das minhas filhas, mesmo que seja uma situação temporária, é extremamente difícil.

Você participou de dois programas de aceleração. Qual a principal lição que aprendeu nesse processo? 
Eu participei do Startup Chile (Chile) e do Parallel18 (Porto Rico), dois programas de aceleração internacionais. Essas experiências me deram muito conhecimento, contatos e um pensamento de empreendedora global, de que eu podia fazer muito mais do que havia imaginado.  Me trouxeram a certeza de que falhas são parte do processo e são positivas se você aprende com elas. Além disso, me fizeram perceber que ter dúvidas e dificuldades é normal, todos os que empreendem de verdade passam por isso.

Para você qual é a principal característica que uma empreendedora precisa ter para alcançar o sucesso no mercado de startups?
Primeiro, a principal característica é enxergar o fato de ser mulher como algo positivo. O segundo ponto é desenvolver as habilidades, conexões e resiliência, que são necessárias a qualquer empreendedor.  O terceiro é aprender a lidar com suas emoções e cobranças que virão, até mesmo as oriundas de preconceitos. Sacrifícios pessoais serão necessários e você tem que estar disposta a fazê-los, da mesma forma que seu competidor faria. Sucesso não é baseado em gênero e sim nos resultados que você apresenta, seja para o cliente, para o investidor ou para o mercado.

O Timokids tem como público mães e pais. O que é importante para alcançar esse público? Ser mãe ajuda nessa comunicação?
É um público mais difícil de conquistar, pois existem muitas opções de produtos que competem com o que você vende. No entanto, assim como qualquer público, a chave é entender como ele pensa, seus hábitos e agregar valor a ele. São ações fundamentais. Ser mãe me faz ter as mesmas preocupações e dificuldades, além de me aproximar dos sentimentos dos pais e mães que se preocupam em educar seus filhos para o futuro. No fim é uma vantagem porque a Timokids foi criada a partir de um problema real, que é a dificuldade de conversar com os filhos sobre temas difíceis como bullying, assédio sexual, entre outros. Foi feito para prepará-los para uma sociedade que é muito diferente da sociedade que fomos criados.

Qual sua principal dica para ajudar outras mães que estão começando a empreender? 
Seja muito sincera com você mesma ao decidir o quanto você está disposta a se dedicar – e sacrificar – para fazer seu negócio dar certo. Empreender vai te exigir tempo e escolhas difíceis, vai ter um impacto na sua vida pessoal e isso vai te afetar emocionalmente, além de todos à sua volta. Definir o seu limite vai te ajudar a não criar falsas expectativas ou desistir no meio do caminho quando os problemas começarem a acontecer. Quanto maior o sonho maior o sacrifício. É possível, sim, conciliar, mas não misturar o fato de ser mãe e ser empreendedora. Não tenha vergonha de pedir ajuda e não esqueça que, independentemente de você ser mãe, você é uma pessoa que tem sonhos, um potencial incrível e todo direito de viver isso.

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Sobre a autora

Maria Cristina Bernardo

 

Mãe do Guilherme, do João e da Júlia. Pedagoga, Especialista em Sustentabilidade e Gestão de Pessoas, Blogueira . Mãe empreendedora que vem enfrentando há 9 anos todos os desafios de trabalhar em casa.

 

Fonte de imagens: Divulgação

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